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29 de Março de 2020

Direito e novas tecnologias.

A tecnologia vai substituir o meu trabalho ou me ajudar?

Patrícia Mirella, Advogado
Publicado por Patrícia Mirella
mês passado
Você como advogado (a) ou acadêmico (a) de direito já deve ter ouvido falar que direito e tecnologia estão cada vez mais unidos, não é mesmo?!
Se sim, ótimo! Se não, estou disposta a compartilhar com vocês um pouco do conhecimento que tenho sobre o assunto.
Muitas pessoas afirmam que a sociedade, de modo geral, está passando pela 4º Revolução Industrial e tal fato é perceptível aos olhos e claro, à palma de nossas mãos.
No cenário jurídico não tem sido diferente. Estamos vivendo o "Direito 4.0", "Advocacia 4.0"...Mas o que, exatamente, isso significa? O meu trabalho como advogado vai deixar de existir? Vou ser substituído por um software, algoritmo ou inteligência artificial?
Calma! Não é nada disso que você está pensando!
O fato é que com o advento da tecnologia é impossível imaginar que a área jurídica não fosse por ela atingida e cabe a nós, enquanto profissionais conhecermos mais sobre tal universo.
O Direito 4.0 se trata de uma nova fase em que os recurso tecnológicos passam a estar cada vez mais presentes na vida dos advogados, o que faz com que este profissional poupe o seu tempo com atividades que podem ser terceirizadas à tecnologia e se dedique muito mais ao trabalho intelectual e ao desenvolvimento de estratégias para melhor atender ao cliente. Neste mesmo viés segue a Advocacia 4.0. Como se pode perceber abaixo:
Na imagem acima temos o modelo dos 6Ds Exponenciais de Peter Diamandis, que prega a realidade exponencial, a qual tem sido transformada a partir dos 6Ds que significam: digitalização, decepção, disrupção, desmaterialização, desmonetização e democratização.
Digitalização: vivemos cada vez mais em um mundo digital. Digitalizamos nossas fotos, voz, senhas, documentos, produtos e claro, processos - com o advento do PJe e demais softwares de automação de documentos.
Decepção: muitas inovações vêm acompanhadas de um período inicial de decepção. Segundo Diamandis, a tecnologia cresce em uma curva exponencial. Depois de um início tímido, o crescimento acontece acelerado.
Disrupção: sabe aquela frase: "nos acostumamos com aquilo que é bom", pois é, depois que a disrupção acontece é difícil se livrar dela. Até porque a facilidade nos ganha. Por exemplo: antigamente tínhamos somente fotos impressas, reveladas e além dos custos, tal serviço era demorado e não estava ao alcance de todos. Após o surgimento da foto digital, o custo se tornou mínimo ou nulo; a comodidade, facilidade e rapidez de compartilhamento é gigantesco.
Desmaterialização: as soluções antigas vão se desmaterializando e passam a não existir em suas versões físicas. Basta pensar: quantos aparelhos e soluções diferentes você precisaria para realizar todas as funções que o seu celular executa? Calculadora, rádio, calendário, agenda de contatos, GPS, videogame, câmera digital e por aí vai. Quantos desses produtos foram engolidos pela tecnologia?
Desmonetização: após a disrupção ocorrer a tendência dos serviços - antes extremamente inovadores e pouco acessíveis - é se tornarem mais baratos e com custo de produção menor, tendo em vista que a procura por eles será bem maior, o que movimenta o mercado como um todo.
Democratização: o próprio termo é autoexplicativo. É o momento em que todos podem ter acesso as novas tecnologias. É quando os produtos são transformados em bits e inseridos em uma plataforma digital de fácil acesso.
Bruno Feigelson, em seu artigo "Advocacia 4.0: sete características", lista algumas particularidades dessa nova realidade, são elas: https://www.ab2l.org.br/advocacia-4-0-sete-caracteristicas/
  1. Rápida democratização do conhecimento jurídico: A digitalização das informações e o amplo fluxo de comunicação implicam em uma rápida curva de precarização do conhecimento. Ou seja, dificilmente será possível vender as mesmas “teses” e o mesmo “conhecimento” por um grande espaço de tempo.
  2. Ineditismo e velocidade de interpretação: Em um mundo de acesso infinito ao conhecimento, o valor passa a estar no processador e não no HD. A nova memória é a nuvem, nivelando grande parte dos profissionais. Analisar e interpretar na velocidade dos acontecimentos é o valor. A advocacia em certo sentido vai se assemelhar com a mineração de bitcoin, em que um problema é lançado para a rede, e o player que consegue resolver em menor tempo recebe por isso.
  3. Fim do argumento de autoridade: Em uma realidade nivelada de conhecimento, o argumento de autoridade deixa de existir, e a racionalidade e legitimidade dos argumentos precisam imperar (dados, construção lógica e propagação adequada).
  4. Criatividade e design: Os desafios postos não terão precedentes e ensejarão soluções criativas. A capacidade de reproduzir experiências anteriores será reduzida. Será preciso criatividade para desenhar soluções inéditas para as novas questões postas.
  5. Velocidade na resolução das disputas: O litígio cada vez mais será observado como perda de tempo e recurso. Em uma sociedade acelerada, a resolução de conflitos por meios alternativos será crescente (tal crença justifica o Sem Processo).
  6. Empatia, relevância e acesso: O advogado precisa ser uma “API aberta” que se conecta com outras plataformas oportunizando um tráfego rápido de informações e a consequente resolução das questões postas. Isso significa se conectar com seus pares (outros advogados e escritórios), profissionais de outras áreas (multidisciplinariedade) e seus conhecimentos diversos, Estado (de maneira ética e republicana), mídia e influenciadores, grupos de interesse e especialmente clientes. Para tanto, a empatia e a “capacidade de ganhar relevância” passam a ser valores fundamentais. Em um mundo de abundância de informações, conexões e compromissos, a briga pela “audiência” individual e coletiva passa a ser pauta da advocacia.
  7. Capacidade de conexão, de abstração e analítica (data driven): Além do fluxo de informação que passa a ser fundamental, a Advocacia 4.0. prega uma capacidade de se conectar com as novas questões (entendimento pleno dos desafios vivenciados por empresas e sociedade), capacidade de abstração (distanciar as ideais do objeto) e especialmente desenvolver uma visão analítica pautada em dados. Ou seja, é preciso mergulhar nos desafios, emergir à superfície (abstrair) para resolvê-los e se pautar em números e dados (data driven).
Lawtechs, Legaltechs, Jurimetria, Healthtech, Fintech, Advocacia Digital, StartUp, Internet das Coisas, Cybersegurança, Criptomoedas, Inteligência Artificial, Lei Geral de Proteção de Dados e muito mais. Já ouviu falar de algum desses temas? Comenta aqui embaixo.
Gostou? Quer saber mais? Não se acanhe! Sugestões e críticas construtivas estão abertas.
Fontes: https://abstartups.com.br/nova-economiaeos-6-ds-da-disrupcao-entenda/
https://www.ab2l.org.br/advocacia-4-0-sete-caracteristicas/

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